A gestão de pessoas e a importância da cultura organizacional na advocacia

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A gestão de pessoas e a importância da cultura organizacional na advocacia

A importância da cultura organizacional dentro dos escritórios de advocacia, apesar de ser uma prática muito mais comum em ambientes empresariais, pode selar o sucesso ou insucesso do negócio. A questão é que, embora o mister do Direito tenha cunho social, a rotina das bancas se aproxima cada vez mais de ambientes corporativos e tal fato não se pode negar e não é óbice para a obediência ao Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil.

O que os sócios, especialmente os fundadores, precisam considerar é que cada colaborador necessita, literalmente, vestir a camisa e seguir a missão, visão e valores do escritório. Isso porque, todos os profissionais terão, em algum momento, contato com os clientes e a comunicação deve seguir o mesmo tom desde o primeiro contato, quando o cliente ainda era um prospect. Lembrando que reverter um mau atendimento ou uma má impressão é tarefa árdua, além de prejudicar a marca, muitas vezes, irreversivelmente.

Mesmo com a importância de um bom ambiente de trabalho, a realidade mostra que grande parte dos fundadores, passado algum tempo do marco inicial de seus escritórios, não reconhece seu próprio negócio, que já possui uma cultura própria e orgânica, com hábitos, atitudes, comportamentos, crenças, valores e expectativas compartilhados pelos integrantes e que, normalmente, não condiz com a forma que eles haviam concebido o escritório.

Esse problema é compreensível quando se entende que a rotina da Advocacia é exaustiva, com todos os profissionais, de sócios a estagiários, empenhados no cumprimento dos prazos, na melhor negociação, na elaboração de pareceres, defesas árduas e no acompanhamento da produção legislativa e jurisprudencial. E é exatamente nesse cotidiano estressante que as distorções surgem.

A primeira tarefa é possuir uma política organizacional e esclarecer a todos os colaboradores do escritório. A falta entendimento, seja por não compreensão ou por ineficiência na divulgação, cria um obstáculo para o bom desenvolvimento do negócio.

Os gestores têm de considerar que uma boa cultura pode motivar os colaboradores e auxiliar o escritório crescer. Mas, o oposto também pode acontecer e a cultura organizacional funcionar como propulsora de problemas de produtividade e no ambiente de trabalho. É importante ficar atento e gerir o escritório como uma empresa, não se esquecendo de avaliar as políticas, pois a inércia pode gerar situações de desconforto e de falta de sinergia entre os colaboradores, podendo acarretar gastos e perdas com turnover, além do impacto na prestação do serviço e, como mencionado, sentimentos negativos entre os clientes e consequências desfavoráveis para a marca. Ou seja, além de uma equipe competente, é indispensável entender que a cultura organizacional desenvolve diretrizes para que o empreendimento seja bem-sucedido.

Diante dessa constatação, fica claro que os sócios que investem em gestão de pessoas e ambiente corporativo fundamentados em qualidade, possuem como retorno profissionais produtivos e clientes felizes. Certamente, no transcorrer dos anos, a cultura pode ser adaptada, até porque estamos tratando de seres humanos e o escritório fica sujeito à transformação orgânica do ambiente. É imprescindível, entretanto, a constante atenção para que as mudanças sejam sempre para melhorar o ambiente e o atendimento.

Por Fernanda Campos